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A arte de bem discutir

Regras para discutir?

Nos casais, as discussões repetidas e negativas são um dos principais motivos de insatisfação. Geralmente, as discussões tornam-se insuportáveis ao fim de algum tempo, por serem muito explosivas, por acabarem em silêncios desconfortáveis e não levarem a lado nenhum. Resultado? Muitos casais tendem a evitá-las. Esta também não é uma boa solução, já que as insatisfações vão-se acumulando e a tendência mais certa é para o casal se ir afastando (e não de uma forma positiva).

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Image courtesy of Michal Marcol / FreeDigitalPhotos.net

A arte de um boa discussão de casal

A técnica ‘speaker-listener‘ é utilizada em diversos contextos e é particularmente útil para o casal. Pode ser utilizada para discutir tanto assuntos relativos à relação de casal como outras problemáticas.

Esta técnica apresenta várias vantagens:

  • Menos frustração. Como oferece uma estrutura básica à discussão/conversa, pode diminuir a sensação de frustração decorrente da repetição de discussões que nunca mais acabam. Por vezes os casais já nem tentam discutir pois receiam ficar ‘soterrados’ em acusações. Com esta técnica, há menos hipóteses de isto acontecer.
  • Clareza. Como a discussão é estruturada em pequenos pedaços de informação, diminui o risco de mal-entendidos que poderiam gerar complicações futuras.
  • Calma!!  Este tipo de técnica pode impedir a típica ‘escalada verbal’ das discussões mais acesas, uma escalada que se caracteriza por uma troca muito rápida e crescente de acusações e críticas destrutivas, resultando numa perda de controlo da discussão. Isto é geralmente associado à chamada ‘inundação emocional’ típica destas discussões : aumento do ritmo cardíaco,  subida no nível de cortisol e de adrenalina e uma sensação no mínimo muito negativa… Este mecanismo de stress intenso prepara adequadamente o organismo para Lutar ou Fugir, mas não é o mais adequado para uma discussão de casal, pois afecta o raciocínio e ‘paralisa’ o sistema das emoções e afectos. Esta perda de controlo traduz-se num ‘bater de portas’ que finaliza a discussão, num muro de silêncio impenetrável ou por vezes até por episódios de alguma violência (verbal ou física).

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Como é que isto pode ser posto em prática?

É fácil e não é preciso muito treino, deixo-vos com o exemplo adaptado daqui.

Joana: Ó Pedro, mas porque é que estás sempre, sempre, sempre a esquecer-te de pôr a roupa no cesto da roupa suja? Detesto isso! Estás sempre a esquecer o que te peço, já não te importas com absolutamente nada cá em casa!
Pedro:  Bolas, já começas outra vez? Tens noção que estás cons-tan-te-mente a dizer-me o que fazer? Eu faço aquilo que realmente precisa de ser feito, tu é que és completamente desorganizada e NÃO PARAS de me chatear!!!
Joana:  Bom, ok…. espera um pouco. Vamos lá ver se não nos perdemos desta vez. Vamos usar aquela técnica a ver se resolvemos isto?
Pedro: Sim, vamos lá. Começa tu.
Joana: (segurando numa caneta porque detém o ‘palco). Fico frustrada quando não pões a roupa no sitio certo. Quando tenho que ir à procura da roupa pela casa, para fazer uma máquina, fico logo zangada e começa a doer-me a cabeça.
Pedro: Ok, ficas muito frustrada quando eu me esqueço de pôr a roupa no cesto, até ficas por vezes com dor de cabeça.
Joana: Exactamente. E estamos numa fase tão difícil a nível financeiro que eu preocupo-me até com coisas mais pequenas. Eu sei que tu te importas, mas por vezes fico insegura e com medo que tenha de ser eu a lidar com tudo e que tu não participes e que fique tudo sobre os meus ombros.
Pedro: Portanto…. o que acho que estás a dizer é que estás mesmo preocupada com a nossa situação financeira e que isso aumenta a tua preocupação com uma data de outras coisas. E que quando eu não ajudo em casa isso faz-te sentir que tens que lidar com os problemas sozinha, sem ajuda.

Joana: É isso mesmo. Na mouche. Obrigada por ouvires. Acho que agora é a tua vez (entregando-lhe a caneta).
Pedro: Eu também estou muito preocupado com as nossas finanças. E às vezes gosto de relaxar e não pensar em nada, sentar-me só a ver televisão, para não ficar tão tenso para não estar sempre a a pensar naquilo.
Joana: Portanto tu também estás preocupado com a nossa situação financeira e ver televisão é uma forma de te acalmares um pouco.
Pedro: Sim. E também quero falar disto, porque me sinto culpado de não trazer para casa dinheiro suficiente.
Joana: Ok…Sentes-te mal por não estares a conseguir contribuir com mais dinheiro para equilibrar as coisas, mas gostavas de falar disso mais abertamente.
Pedro. Nem mais. Queres agora continuar tu (entregando-lhe a caneta)?

Joana: Pedro, eu aprecio verdadeiramente o teu esforço e contribuição, acho que fazes um trabalho fantástico. Obrigada por partilhares isso comigo.
(…e a conversa continua…)

Um discussão que poderia muito facilmente ter resultado numa infrutífera troca de acusações e críticas acabou por se tornar numa conversa calma,  profunda e geradora de novas informações e de maior compreensão e apoio.

É também este o valor acrescentando de saber discutir, não só se podem  resolver problemas, como é uma das formas mais interessantes de aumentar intimidade emocional .

 

Boas discussões!

 

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