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Intimidade e desejo: Casais identificam factores promotores e perturbadores

Que factores perturbam ou promovem a intimidade e o desejo no casal?

Num estudo recente com casais portugueses*  foram identificados os principais  fatores que promovem ou que perturbam a intimidade e do desejo sexual,  destacando-se, sobretudo, o impacto percebido do contexto laboral, da parentalidade  e das saídas do casal para fora do ambiente familiar.

Através de entrevistas a casais,  foram identificados dois padrões emergentes nos fatores que influenciam a intimidade e o desejo sexual:

Factores perturbadores da intimidade e desejo:

  • O stress, falta de tempo e fadiga (decorrentes especialmente do trabalho e do apoio aos filhos, família de origem e rede social);
  • A rotina ou monotonia (que surgem de forma repetida e consistente nos fatores que mais perturbam a intimidade e o desejo sexua)l;
  • O conflito (Esperturbador do desejo).

Factores promotores da intimidade e desejo:

  • A mudança ou quebra na rotina;

    Imagem por Pieter Van Eenoge (NYT)

    Imagem por Pieter Van Eenoge (NYT)

  • A ausência de stress ou a disponibilidade em termos de tempo e energia;
  • A partilha;
  • A Autonomia (especialmente promotora do desejo).

É interessante verificar a referência frequente dos participantes a “momentos de saída a dois” (e.g., ‘escapadelas’ de fim de semana) como condensando a maioria dos fatores promotores do desejo e da intimidade, tais como a novidade, a disponibilidade e a partilha, diminuindo a probabilidade de ocorrência de fatores perturbadores, tais como a rotina e interferências de outros subsistemas da vida familiar e social.

Os diversos fatores identificados, neste estudo, como perturbadores do desejo e da intimidade, vão no sentido de investigações recentes, particularmente quanto ao elevado stress decorrente do trabalho,  incluindo especialmente as situações laborais precárias ou as dificuldades financeiras**.

E serão estes os temas mais trabalhados na terapia de casal?

Com exceção do conflito e da gestão dos efeitos de spillover trabalho-família ***, os restantes resultados encontrados através das entrevistas aos casais sugerem que os principais temas percecionados com tendo influência no desejo e na intimidade conjugal aparentam ser diferentes dos temas mais trabalhados em terapia de casal e terapia sexual, nomeadamente no que se refere à primazia do trabalho sobre a comunicação e confiança no casal (Gottman & Silver, 1999), possivelmente excluindo os processos mais ligados à gestão da autonomia, autenticidade e privacidade, por exemplo. No entanto, seja através das propostas de Schnarch (2010) ou, de forma mais abrangente, no modelo de Terapia Focada nas Emoções (Johnson, 1996), a intervenção focada no self  mas integrada no sistema conjugal aparenta estar a ressurgir.

É importante que os terapeutas de casal estejam alerta para avaliar adequadamente estas influencias de carácter mais contextual (i.e.: vida laboral).

 

* Ferreira, L.C. (2013). Intimidade e desejo sexual nas relações de casal: O paradoxo da diferenciação conjugal. Tese de Doutoramentos. Faculdade de Psicologia, Universidade de Lisboa.

** Štulhofer, Traeen, Carvalheira, 2013

*** Expressão referente à transferência quotidiana do stress laboral para a vida familiar e conjugal (Saxbe, Repetti, & Nishina, 2008).

 

Separação e divórcio: Como dizer aos filhos?

O tema da separação/divórcio é actualmente dos mais comuns na minha actividade clínica. São os casais que pedem ajuda porque se sentem em risco de ruptura, os casais que sentem que precisam de alguém que os ajude no processo de divórcio e as famílias que se tentam adaptar a novas configurações familiares, entre tantos outros. Tal não é de admirar, já que os dados mais recentes relativamente ao divórcio em Portugal indicam que por cada 100 casamentos em 2012 ocorreram cerca de 73 divórcios. 

TheGoodDivorce

Como dizer aos filhos?

Não há dúvidas que o divórcio continua a ser uma evento marcante para quem se divorcia e para os filhos, mas não tem necessariamente que ser um evento traumático.  Um dos factores que mais contribui para uma transição relativamente serena é a capacidade da família se reorganizar de forma a que a “equipa parental” seja preservada apesar da falência da “equipa conjugal”.  Em situações onde  o nível de conflito entre os ex-cônjuges é elevado,  é complicado manter os canais de comunicação limpos de ruído de forma a conseguir dialogar produtivamente sobre os filhos e tomar em conjunto as decisões importantes. No entanto, este é um esforço com um retorno tremendamente positivo.

Algumas dicas importantes:

  • Decidam juntos o que vão dizer aos filhos, tendo em atenção as suas idades e a privacidade dos adultos.
  • Escolham um momento calmo e com tempo para contarem aos filhos, em conjunto. Encarem este momento com a seriedade que merece e sejam o mais claros e afectuosos possível. Os vossos filhos provavelmente nunca esquecerão esta conversa.
  • É natural que as crianças tenham várias perguntas – estejam preparados e não na defensiva.
  • Decidam previamente algumas questões de ordem prática relativa à rotina das crianças. Numa altura de transformação, é importante tentar manter o máximo de estabilidade possível na vida dos filhos e eles provavelmente terão perguntas bem específicas.
  • Não digam que a culpa é do outro nem critiquem o/a ex à frente dos filhos (sim, isto vale para depois também. Mesmo!)
  • Nesta conversa, há 3 ideias imprescindíveis que têm de ser transmitidas aos filhos:
  1. A separação/divórcio não é culpa deles.
  2. Os pais gostam muito deles.
  3. Serão sempre uma família, mas diferente do que tinham sido até aí.

Não se esqueça que até um “bom divórcio” é doloroso … peça ajuda se necessário.

 

O que é a terapia de casal?

Image courtesy of stockimages / FreeDigitalPhotos.net

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A terapia de casal é um tipo de intervenção psicoterapêutica que tem como objectivo principal ajudar os casais a identificar padrões de comportamento que causam sofrimento e a encontrar alternativas para um relacionamento mais saudável e satisfeito.

O que faz um terapeuta de casal?

Um  terapeuta de casal não é um juiz:  o seu trabalho não é o de decidir quem tem razão numa disputa conjugal. O terapeuta de casal estabelece uma relação de ajuda com ambos os parceiros, proporcionado um espaço seguro para a expressão de emoções e de necessidades individuais e conjugais.

Durante as sessões de terapia de casal, é provável que o terapeuta utilize estratégias especificas de forma a ajudar o casal a:

  • Promover aquilo que funciona bem no casal.
  • Desenvolver novas perspetivas sobre a relação.
  • Interromper os padrões de comportamento que não funcionam, especialmente na resolução de conflitos.
  • Ajudar os parceiros a experimentar novos comportamentos, papéis e desafios.
  • Facilitar a comunicação e expressão de sentimentos.
  • Ajudar a regular a distância e dependência no casal.

Que motivos levam os casais à terapia?

Entre os temas mais comuns em terapia de casal estão as dificuldades na transição para a parentalidade, a infidelidade e as relações extra-conjugais, a insatisfação sexual, a monotonia ou desinteresse na relação, os ce problemas de comunicação, as dificuldades em lidar com a família de origem (ou com as  tarefas parentais, rede social e gestão doméstica) e, finalmente, as perturbações de saúde física e mental.

Quando pedir ajuda a um terapeuta de casal?

Em média, os casais insatisfeitos demoram 6 anos (Gottman & Gottman, 1999) até pedirem ajuda a um profissional especializado. Frequentemente, o casal sente-se insatisfeito na relação durante algum tempo mas é só num momento de crise 8ou após várias crises) que pede ajuda. É provável que obtenha melhores resultados em terapia se pedir ajuda mais cedo, já que o terapeuta terá mais recursos para trabalhar com o casal.

Como encontrar um bom terapeuta de casal?

Antes de mais certifique-se que é um profissional credenciado:

  • É membro efectivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses? Pode procurar aqui.
  • Tem formação aprofundada na área dos casais ou famílias? A terapia conjugal é uma intervenção que requer competências específicas.
  • Participa em actividades científicas, de formação ou supervisão? Os CV’s online são uma boa fonte de informação.
  • Não hesite em ligar diretamente ao terapeuta e fazer-lhe as perguntas que julgar necessárias.
  • Verifique se o preço das consultas é adequado ao seu orçamento  Ninguém faz um bom trabalho “instantâneo”, conte com pelo menos 6-10 sessões.
  • Pergunte por referências a amigos, colegas, familiares, médico de família, etc.

Saiba mais

O que é a intimidade no casal e que factores a afectam?

Num estudo recente com casais portugueses (Ferreira, Narciso & Novo, 2013),  foram identificadas as seis principais dimensões da intimidade no casal: Autenticidade, Partilha, Confiança, Autonomia, Compreensão e Privacidade:

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O estudo, baseado nas entrevistas de 33 casais portugueses de várias idades, mostra que os casais sentem que a intimidade é positivamente influenciada pelas quebras frequentes na rotina do casal (tais como escapadelas de fim de semana ou date night’s), pela disponibilidade em termos de tempo e energia e pelo sucesso profissional.

Já o stress no trabalho (incluindo os horários rígidos  ou mesmo as situações de  precariedade ), e a  influência excessiva dos outros sistemas na vida do casal (filhos, família de origem e rede social), foram identificados pelos casais como elementos perturbadores da intimidade.

Image courtesy of photostock / FreeDigitalPhotos.net

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veja aqui o estudo completo.

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